
- Talvez fosse a hora do show acabar, de se soltar as amarras e entregar tudo de uma maneira rápida, mas não menos dolorosa. É como se por mais que você ganhasse, aos pouquinhos fosse perdendo o que adquiriu. Sabedoria, experiência e qualquer outra forma de experimento também se vai. Hoje eu sinto tanta falta de tudo o que um dia não me fez falta. Hoje eu sinto saudade de cada bobagem de um dia normal, de uma conversa em qualquer um dos trabalhos (e foram centenas) que passei. Hoje sinto falta porque minha cama está vazia, e não quer ser completa porque ainda não pode, ainda não sente. Como se um vento tão mais forte do que eu tivesse passado pela minha vida e eu não tivesse tido tempo de segurar as rédeas, eu fui. Eu passei. Tão cansado de não poder ficar, de não poder permanecer. E nesse caminho minado por ódio de incompreensivos, por medo de fracassados, por desaventuras de desiludidos, eu continuei andando, crendo em tudo aquilo que um dia eu disse que me faria bem. E, acho que, faz! Acho que se eu mudasse agora toda minha vida perderia o rumo e, de verdade, eu não quereria mudar. E mesmo que o mundo esteja se despedaçando ao redor, que os dias se tornem cada vez mais irrespiráveis, que as manhãs se tornem cada vez mais insuportáveis e que as noites, essas inóspitas noites, se tornem sem fim, e que meu coração grite dizendo que não dá mais, que meu corpo pare por também se sentir incapaz, eu tirarei forças do fim do Show. E se, o show tiver que acabar mesmo, com ou sem solução, sem a caminhada completa, com a falta que meus "corações" me fazem, que minhas emoções me fazem, ele vai acabar por conta própria. Embora eu ainda espero que tudo não passe de um sonho e que, ao acordar amanhã, tudo volte ao normal, que eu possa estar nos braços conhecidos novamente, que eu possa me refazer, me reconstruir e sentir novamente a segurança insegura, a raiva, o sexo, a briga, o carinho, a descoberta, mesmo sabendo, que no fundo, eu acabei sentindo isso sozinho. E é assim que prefiro ficar por enquanto, sozinho...
PONTO!

