- Inexplicável como um homem precisa parar toda a sua vida e reorganizar suas forças para cobrar o que é impossível entender. Indexável é pensar que por mais forte que você seja o fardo só tende a aumentar e a força a ir se afunilando dentre todos esses farrapos, dentre todos esses recomeços e recaminhos. Hoje o céu parece infundável, em crise, com milhares de estrelas em colapso, formando figuras sem fundamento, sem cabimento, sem sentimento. E eu estou aqui, parado, olhando com o mesmo olhar, que parece nunca mudar. Talvez todos os meus erros sejam os meus espinhos, dentro de um coração cheio de esperança e garra que carrega em uma sobreponta inseguranças e medos. Inseguranças absurdas, incontáveis e sufocantes. Inseguranças tão inseguras de si que precisam do meu apoio para continuarem existindo e, eu, sem intenções, construo-as palavra por palavra, frio por frio, dor por dor. É quando qualquer música te remete a única coisa que pareceu te fazer vivo depois da morte. É quando qualquer almoço em qualquer restaurante barato te faz lembrar dos risos e bobagens com comida. É quando, nem mesmo bêbado, você consegue esquecer aquilo que te assombra. E vai te assombrar até sabe-se lá quando. É quando você se abaixa e não quer mais se levantar. E tudo isso depende de você. Pelo menos todos dizem que levantar todo esse peso e continuar caminhando é o que se deve fazer. Mas, e se você quiser parar? E se você quiser ficar apenas onde está? As coisas não podem simplesmente continuar sem você? Não podem se reconstruir sozinhas? E você para. E o mundo continua girando, as flores continuam lá para todos os apaixonados, os beijos, o sexo, o carinho, a dor, o prazer e o caminho... E você parado, como sempre deveria ter ficado, entendendo que muita coisa não pertence a você e que não faz diferença se você continua ou não, porque, no fim, as pessoas continuam sem você. E o seu caminho nem brilha mais. Você continua caminhando por espasmos, com os pés dilacerados e cansados e sem apoio. Sem nada. Mas isso já devia fazer parte do seu costume. Você nunca teve nada e, talvez, nunca terá. Embora você ainda guarde um ponto de esperança, você percebe que ela diminui a cada dia. E seu corpo nem responde mais, sua respiração se torna mais ofegante, seu rosto se mostra pálido e com marcas fundas de um sofrimento constante. E tudo isso parece não passar. E não se sabe se passará. Você só pode continuar se arrastando. Vivendo aos cantos de um quarto vazio e frio, enquanto o único que tem algo pra mostrar está lá fora. E parece que não vai mudar. Sim, parece...PONTO!


