segunda-feira, 1 de novembro de 2010

- Lembranças

- Sou isso, um amontoado de lembranças. Ridículo, imprevisível e sem rumo. Não posso querer ser mais do que isso ou caminhar contra o que me foi escrito. Está escrito o que está escrito e eu só devo seguir a linha. Todas as vezes em que desentranho esses pensamentos infâmes e vis, nada mais posso fazer além de admirar a velocidade em que as coisas vem e vão. Hoje, enquanto penso novamente em quão nada posso ser, em quão tudo tem que ser de formas diferentes para pessoas diferentes, enquanto o botão de rosa não florece, enquanto tantas coisas que inúmeras seriam aqui. Quem está na chuva fria sou eu. Quem ainda vê os relâmpagos e ouve os trovões sou eu! Quem ainda não entendeu sou eu. Por todos os dias eu rezo para que se emancipe de mim as letras para que curem e cicatrizem os momentos não consumados. Espero, pelas letras, costurar os retalhos e remendar os buracos, amenizar as dores e a consciência. Um poeta não é poeta porque quer, é poeta porque sofre. É na sofreguidão que lhe vem as idéias, que lhe vem as formas de alivar esse mundo. Ele infla, desincha, empenha. Ele se desmonta em quatrocentos pedaços e tenta entender o que acontece, mas ele não entende. E ninguém nunca vai. Amaldiçoados os que nasceram com o dom de pensar, o dom de querer descobrir. Amaldiçoados os que querem ser felizes, porque pra esses restarão apenas as esperanças. Amaldiçoados os que montam suas lembranças e essas lhes prendem, como correntes quentes, a tudo aquilo que desejam esquecer. Amaldiçoados. Somos todos nós, poetas.


PONTO!

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