
- Meu coração nunca foi puro. Minha mente talvez nunca tivesse deixado que ele chegasse perto dessa alcova. E eu sinto que o tempo está passando muito mais rápido do que eu. Como se eu estivesse trancado em uma caixa, desejando rever o sol, mas com os desencontros de uma criança. E hoje, ainda, o ar não me basta mais. E é mais do que engraçado quando o ar não basta, porque os pulmões se enchem de nada, assim como as suas idéias. Você perde a memória, e não encontra nada nas lembranças que deviam te manter acordado. "Acorde sua alma!" é o que você pensa, e acha que é o que pode pensar, mas, a cada dia que vai, a cada noite que some num céu um pouco mais claro, e cinza, a sua alma repousa perdida em algum lugar. Eu sei que, em todos os sonhos com estradas chuvosas e bem estares súbitos enxergando velhos e novos mundos eu posso encontrar uma casa, pelo menos nesses sonhos. Eu posso sonhar com isso tudo, agora e sempre, mas eu não posso voltar pra alguma casa de novo. Não, não posso!


