sábado, 23 de julho de 2011

- Ode ao lado escuro da lua!


- No fundo eu sei que já posso morrer! Não morrer porque quero que minha vida cesse, ou que meus dias aqui acabem, mas sim porque seria egoísta de minha parte viver mais do que já vivi, ver mais do que, em toda minha vida, sei que muitos não chegaram a ver. Eu tenho, como qualquer um, momentos de devaneios incertos, de ódios intermináveis, de medos tremendos e, quando me agarro a um desses pecados por mim cometidos, penso no quanto injusto eu sou por me privar de tudo aquilo que me foi ofertado. O lado escuro da lua pertence a mim também. Não sei o quão amargo seria dizer que esse lado obscuro sou eu por completo, que se ilumina por alguns sóis presentes nessa atmosfera esquisita, nesse universo imperfeito, nesse mundo com características somente atribuidas por mim. Não sei o quão monstruoso é demonstrar a face mal feita, o veneno que não escorre todos os dias, com todo o contorno de uma bela figura, um belo desastre, um belo desconserto. O ar que pesava antigamente, hoje nem efeito faz mais. O medo que antes a janela deixava voar, hoje é aumentado pela imensidão de toda a existência. A dor, o cansaço e o distúrbio se prendem e se desmontam face a face com a minha desistência. Uma desistência silente, remota e insensível, que gela meu coração e destrói o meu corpo aos poucos. Uma desistência que me toma como se eu já não pudesse mais tomar conta de mim, como se eu tivesse deixado, em todos os cantos desse mundo em que estive, uma parte desse estranho monólogo de tantas pessoas. No fim, o lado escuro da lua nem é tão mais frio que o outro e não deixa de ser menos conflitante. O lado escuro da lua se destrói com qualquer simples atenção, se destrói por não pertencer aos que não conseguem vê-lo, se destrói por não ser tão perfeito quanto o lado iluminado. O lado escuro da lua, aquele que ninguém consegue enxergar com perfeição, sou eu!

PONTO!

terça-feira, 17 de maio de 2011

- Esse, talvez, não seja o fim.


- Meu coração nunca foi puro. Minha mente talvez nunca tivesse deixado que ele chegasse perto dessa alcova. E eu sinto que o tempo está passando muito mais rápido do que eu. Como se eu estivesse trancado em uma caixa, desejando rever o sol, mas com os desencontros de uma criança. E hoje, ainda, o ar não me basta mais. E é mais do que engraçado quando o ar não basta, porque os pulmões se enchem de nada, assim como as suas idéias. Você perde a memória, e não encontra nada nas lembranças que deviam te manter acordado. "Acorde sua alma!" é o que você pensa, e acha que é o que pode pensar, mas, a cada dia que vai, a cada noite que some num céu um pouco mais claro, e cinza, a sua alma repousa perdida em algum lugar. Eu sei que, em todos os sonhos com estradas chuvosas e bem estares súbitos enxergando velhos e novos mundos eu posso encontrar uma casa, pelo menos nesses sonhos. Eu posso sonhar com isso tudo, agora e sempre, mas eu não posso voltar pra alguma casa de novo. Não, não posso!

domingo, 15 de maio de 2011

- Anjos choram, silenciosamente, todas as noites.


- Uma sirene distante ecoa nas paredes frias dessa noite, quieta e calma, e eu imagino quando será a minha vez, quando será que, por frações de segundo, eu mudarei o mundo com uma fragilidade imensa e um desejo no fim. Eu descobri que anjos choram, silenciosamente, todas as noites, mas que quase ninguém os ouve, porque, no fim, todos dormem enquanto eu acordo. Todos dormem enquanto eu, ainda, continuo aqui. Os olhos são os mesmos, os pensamentos nem sabem-se mais que ou quem são, só pensam se sabem algo além do que sabiam. Os olhos ardem, a boca seca, o coração não dispara mais. O medo não fragiliza, a coragem não enobrece, a vontade desaparece. E no meio da noite anjos continuam chorando, clamando para que, em algum momento, as preces deles sejam ouvidas... Clamando para que, em algum momento, cesse a dor de todos aqueles a quem os anjos guardam, e resguardam do mundo. Essa noite eu me mantive acordado mais uma vez, construindo e destruindo tudo aquilo que eu sempre construi e reconstrui. Hoje me mantiva acordado mais uma vez para destruir mais do que amenizar, talvez porque eu sempre pense que minhas paredes estão podres e precisam de reformas, e estruturas novas, e alicerces novos, e passagens novas e, e... E por ter me mantido acordado por mais uma noite, em claro, e por destruir minhas paredes, mais uma vez, vazias, cheguei mais próximo daqueles frágeis anjos da noite, daqueles que choram, calados em seu canto, com lágrimas de lua, sorrisos de sol, temperanças de chuva. Cheguei mais perto daqueles que me compreendem. Cheguei mais próximo de mim... E preferi me manter lá, pra sempre. E sempre...

PONTO!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

- Perfeição.


- Mais uma vez, mais uma noite, mais uma vez todas as coisas. É como se tudo se prendesse de uma ponta a outra e você sentisse aquela sensação que nunca consegue explicar a ninguém. Periódicamente dói, dilacera, estraçalha e você não consegue manter a força. Você se crucifica e remaneja tudo o que não precisa. E quando vê já remanejou até o que não devia. Hoje você olha pra um espelho embaçado, escreve palavras insossas para amenizar tudo o que se perdeu. Hoje você se lembra de pedaços de memórias que talvez nunca tenham pertencido a você e, talvez, você nunca tenha tido memórias pra guardar, apenas desconstruções de planos imperfeitos feitos apenas por você. Você está só, como sempre esteve e nunca entende porque a necessidade de ter alguém ao seu lado, que seja seu amigo, seu irmão, sua cria. Leve minhas vísceras malditas ao inferno, porque lá deve ser melhor do que o longo caminho que se sinta. Leve minhas vísceras expostas ao nada, ao abismo, ao infito desbunde. Hoje, não mais do que hoje, muito menos amanhã, os abraços não fazem mais sentido, não fazem mais tranquilidade. Hoje, não mais do que hoje, os amigos se tornam inimigos, as desavenças se tornam rumores e sua vida se torna nada. Ou talvez, nem se tornou algo, apenas nunac foi. Hoje, não mais do que hoje, a perfeição foi jogada por todas as pessoas em cima dos seus ombros, e, isso, você não precisa e, talvez, nem seja capaz de aguentar.

PONTO!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Aceitação.


- Essa tela branca que me consome todos os dias, que me borda de todos os jeitos que eu sempre componho e recomponho, com todas as cores esquisitas e frias, com todas as coisas esquecidas, com todas as pinturas que foram deixadas de lado. Hoje eu escolhi não ser menos do que eu sou, hoje eu escolhi não deixar de olhar pra tudo o que já se foi e sorrir, sorrir pra dor, sorrir pro medo, pra frieza das palavras, pro choque das decepções. Hoje eu decidi sorrir porque eu sempre soube como o meu destino estava selado à isso. Me sinto de volta ao corpo, não com todos os anos que me consumiram, mas com todas as simplicidades que quis ter. Hoje me sinto pronto, com muito no coração, mas pronto. Hoje eu começo a partir mais uma vez, pra uma última viagem, pra uma última conexão com o que hoje eu conheço. O desconhecido me espera novamente, sempre foi assim. Alguém sem raízes, alguém sem galhos, ramos ou folhas. Alguém completamente nú, em carne crua, pedra bruta, descascado, desapropriado como sempre. Hoje eu não me sentirei menos do que eu sou, hoje eu lembrarei de tudo e me sentirei bem. Hoje não ligarei em ser repetitivo, e espero que o seja, pois talvez assim as pessoas entendam como são hipócritas e fúteis, quando perdem coisas que amam por pensarem em imagens, em coisas que precisam fazer. Esquecer de ser feliz e procurar felicidade em coisas menores. É, vocês não fazem isso certo. Agora eu entendo, e agora estou pronto. Sim, agora estou pronto!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

- Escolha.


- Como qualquer outra coisa, a escolha que você faz te persegue entre todos os seus medos e devaneios. E do que adianta não dormir mais? E do que adianta continuar parado aqui, frio como uma pedra, olhando para frente, sempre acreditando que o melhor está nesse caminho que eu escolho pra mim todos os dias se, no fundo, nem eu sei mais aonde estou ou o que faço?!
As lembranças que serviriam para montar o que hoje sou, desmontam a cada dia mais minha vontade, minha força, meu futuro. Meu passado vence minha garra, meu passado vence minha coragem, meu passado me vence. Existem coisas que nunca foram ditas e que, pelo caminho que eu insisto em prosseguir, nunca serão. É parar e perceber que, hoje, você não acredita em mais nada daquilo que já acreditou. Você não acredita em sentir, em se deixar, nas coisas pequenas que por muito te fizeram sorrir. E os dias ensolarados são exatamente os mesmos que chovem. E os dias que chovem são exatamente os mesmos pensamentos que te mantem acordado. Em mais uma temporada os dias insônes chegam e não vão. Em mais uma temporada a ânsia do mundo não cabe mais em você. Em mais uma temporada de 21 tempos. Será que já não foi o suficiente? Será que eu realmente ainda tenho algo mais a acrescentar? Bom, acho que por tudo, você já se esqueceu. Você já repassou. E por orgulho, eu repassei e transpassei tudo o que devia. Mas, na verdade esse mundo ainda me assusta e, hoje, sinceramente, não quero mais ficar nele. Me sinto pronto, e gostaria de ficar por aqui. Mas não sou eu quem mando no jogo e enquanto os dados continuarem rolando, eu ficarei acordado. E enquanto os dados estiverem rolando eu ficarei aqui, insone, no meio de todas as minhas escolhas.

PONTO!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

- Dor.

- Inexplicável como um homem precisa parar toda a sua vida e reorganizar suas forças para cobrar o que é impossível entender. Indexável é pensar que por mais forte que você seja o fardo só tende a aumentar e a força a ir se afunilando dentre todos esses farrapos, dentre todos esses recomeços e recaminhos. Hoje o céu parece infundável, em crise, com milhares de estrelas em colapso, formando figuras sem fundamento, sem cabimento, sem sentimento. E eu estou aqui, parado, olhando com o mesmo olhar, que parece nunca mudar. Talvez todos os meus erros sejam os meus espinhos, dentro de um coração cheio de esperança e garra que carrega em uma sobreponta inseguranças e medos. Inseguranças absurdas, incontáveis e sufocantes. Inseguranças tão inseguras de si que precisam do meu apoio para continuarem existindo e, eu, sem intenções, construo-as palavra por palavra, frio por frio, dor por dor. É quando qualquer música te remete a única coisa que pareceu te fazer vivo depois da morte. É quando qualquer almoço em qualquer restaurante barato te faz lembrar dos risos e bobagens com comida. É quando, nem mesmo bêbado, você consegue esquecer aquilo que te assombra. E vai te assombrar até sabe-se lá quando. É quando você se abaixa e não quer mais se levantar. E tudo isso depende de você. Pelo menos todos dizem que levantar todo esse peso e continuar caminhando é o que se deve fazer. Mas, e se você quiser parar? E se você quiser ficar apenas onde está? As coisas não podem simplesmente continuar sem você? Não podem se reconstruir sozinhas? E você para. E o mundo continua girando, as flores continuam lá para todos os apaixonados, os beijos, o sexo, o carinho, a dor, o prazer e o caminho... E você parado, como sempre deveria ter ficado, entendendo que muita coisa não pertence a você e que não faz diferença se você continua ou não, porque, no fim, as pessoas continuam sem você. E o seu caminho nem brilha mais. Você continua caminhando por espasmos, com os pés dilacerados e cansados e sem apoio. Sem nada. Mas isso já devia fazer parte do seu costume. Você nunca teve nada e, talvez, nunca terá. Embora você ainda guarde um ponto de esperança, você percebe que ela diminui a cada dia. E seu corpo nem responde mais, sua respiração se torna mais ofegante, seu rosto se mostra pálido e com marcas fundas de um sofrimento constante. E tudo isso parece não passar. E não se sabe se passará. Você só pode continuar se arrastando. Vivendo aos cantos de um quarto vazio e frio, enquanto o único que tem algo pra mostrar está lá fora. E parece que não vai mudar. Sim, parece...

PONTO!